domingo, 27 de maio de 2012

Grandes Crises Mundiais - Parte II - A Grande Depressão (Crise de 1929)

Amigos Investidores de Risco, dando continuidade a série de postagens sobre as grandes crises mundiais, descrevo abaixo a crise de 1929. Então vamos lá!

A Grande Depressão (Crise de 1929)


Em 1918 terminava a I Grande Guerra Mundial, com os países europeus praticamente arruinados. A Europa tentava se reerguer, mas já não era mais o grande centro do mundo. Este posto era agora ocupado pelos EUA que entravam numa era de grandes negócios e prosperidade. Neste período Henry Ford inventou a linha de montagem e começou a produzir carros baratos, acessíveis a boa parte da população. O nível de vida dos americanos subia consideravelmente. A indústria e agricultura apresentavam vertiginosos crescimentos e produziam abundantemente. Com o crédito fácil e a economia apresentando forte crescimento, muitos decidiram participar dos lucros e resolveram investir em ações. O clima de euforia era generalizado. Bancos emprestavam dinheiro para que as pessoas comprassem mais e mais ações. Na bolsa de Nova York observava-se uma grande onda especulativa com grandes volumes de negócios e supervalorização dos ativos, muitos destes falsos, de empresas que sequer existiam. Ao mesmo tempo, a produção da indústria e da agricultura americana crescia tanto, a ponto de não mais encontrar demanda que fizesse frente à excessiva oferta. Como consequência os preços dos produtos começaram a cair. Com o aumento dos estoques, a indústria se viu obrigada a demitir trabalhadores e a baixar a produção.

Conhecido como a “Quinta-Feira Negra”, no dia 24 de outubro de 1929, sem compradores para os 16 milhões em títulos jogados no mercado, a bolsa de Nova York quebra. Em poucas horas fortunas deixaram de existir. Explodia assim a grande crise de 1929. Uma série de suicídios de investidores falidos marcou o dia 29 de outubro de 1929, chamado de “Terça-Feira Negra”. Milhares de bancos e empresas foram à falência e milhões de trabalhadores ficaram desempregados. A crise se espalhou por todo mundo capitalista.  Os EUA eram os maiores credores dos países europeus e latinos e passaram a exercer forte pressão para receberem os pagamentos. Com a quebra industrial, o mercado latino-americano foi afetado, com falta de produtos, alta dos preços e diminuição das importações norte-americanas. A economia europeia também retraiu afetando as áreas coloniais na África e na Ásia. A então União Soviética foi a única a não ser afetada, pois desenvolvia naquela época uma economia fechada. Para defender-se da crise, as economias do mundo capitalista, que tinham os EUA como o grande mercado consumidor e produtor, passaram a adotar medidas protecionistas, inclusive suspendendo o pagamento de suas dívidas externas. A Grande Depressão foi caracterizada pelo desemprego em massa, a classe média arruinada, falências generalizadas, tensões sociais e o reaparecimento do anti-semitismo na Europa  Central, que representa a essência do nazismo.

Em 1932, no ápice da crise, foi eleito o novo presidente Frank Roosevelt, que assumiu o governo em 1933. Na tentativa de por fim a crise, Roosevelt implantou um plano econômico chamado de New Deal, baseado na reformulação do sistema bancário, investimento em obras públicas e consequente geração de milhões de empregos, além do controle de mercadorias, objetivando evitar uma nova superprodução. O plano funcionou e marcou o início da recuperação. Porém, os efeitos da crise continuavam presentes e só foram completamente superados em 1939, com o aumento da produção industrial, necessário para atender às necessidades da II Grande Guerra Mundial que se iniciava. 

 

19 comentários:

  1. Sempre fui apaixonada por histórias das crises, mas a de 29 foi a que mais me marcou.

    Mas sabe q qdo dizem q muita gente estava investindo na bolsa, na verdade nem eram tantos assim? se não me engano eram menos de 7%, ou seja, um numero relativamente pequeno.

    bjs

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    1. Ei Dona Ostra! Fico imaginando a reação da população naquela época, sem experiência de grandes crises anteriores, um mercado pouquíssimo regulado... se formos pensar... 7% da população falida instantaneamente com a quebra da bolsa... quebradeira generalizada das empresas e consequente desemprego... bancos quebrando e deixando os poupadores sem um centavo... deve ter sido um verdadeiro pandemônio...

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    2. Acredito que foi a que mais marcou a muita gente. :P

      Nesse altura já Portugal enfrentava uma crise, já estava sob tremenda e forte austeridade, e ainda levou com mais um pouco dessa crise em cima também. Dizem os antigos que essa foi uma altura de muita fome, tudo o de bom que se produzia era para os ricos ou para fora do país.

      Para esses, a crise actual teria sido um paraíso de grande prosperidade.

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  2. O problema da época foi a alavancagem.

    Era como se todo mundo estivesse operando no Termo e a margem de garantia eram as próprias ações, em 100%.

    Qdo as mesmas começaram a cair, a margem diminuía, e o especulador se via obrigado a vender ações para diminuir a posição. Mas todo mundo vendendo, empurrava mais pra baixo ainda e margem novamente não cobria, virando uma verdadeira bola de neve.

    Em seguida, o banco central americano jogou os juros na estratosfera para "castigar" os especuladores.

    Imaginem? Bancos quebrados (sem crédito na praça). Muita gente pobre (precisando de crédito, que não existia). E juros na estratosfera (o pouco crédito que existia, era caríssimo)

    Essa soma bizarra culminou na grande depressão. Disso ainda veio deflação que foi o que realmente engoliu os EUA.

    Tanto que o governo depois de um tempo resolveu sair fazendo obras públicas pra empregar a galera, pois inflação não ia ser problema, visto que o problema agora era deflação! hehehe

    Essa crise foi, sem sombra de dúvidas, a pior q o mundo já passou.

    Se o mundo superou essa, vai superar qq uma. Grécia e subprime são brincadeira perto disso.

    Grande abraço

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    1. Falando em alavancagem, qualquer semelhança com o subprime NÃO é mera coincidência....

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    2. O mais interessante disso tudo é que ambas as crises foram criadas pelos mesmos argumentos (desregulamentação e liberalismo) e pelo mesmo partido americano (Republicanos) e o mesmo partido que tirou os EUA da crise (Democratas).

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    3. dimarcinho, realmente a alavancagem intensificou bastante a situação, aumentando exponencialmente a velocidade das perdas...
      A deflação também pesou muito, já que os produtores só conseguiam vender abaixo dos preços de custos, levando a quebradeira geral...
      muito bizarra mesmo esta crise...
      Mas muitos analistas afirmam que a crise que estamos vivendo atualmente é a maior da história do capitalismo... sinceramente, não consigo medir qual foi a pior...

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    4. IR,

      as consequências foram muito catastróficas. Para um país chegar ao ponto da deflação, é pq simplesmente o dinheiro evaporou.

      A crise de hj é muito mais devido ao oba-oba generalizado nos países que permitiram isso do qq outra coisa.

      A época, os EUA eram o "pulmão" econômico do mundo... hj, a China ajuda a balancear...

      Alguns analistas gostam de exagerar... a bolsa de NY derreteu 80% em 3 dias (ou algo perto disso)

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  3. Eike, tem razão... e se formos pensar, os republicanos, teoricamente, são mais pés no chão e menos "populistas"... isto leva a crer que estes governos dariam menos motivos para instalação da euforia e da consequente crise nas bolsas de valores... por outro lado, a forma democrata de governar é mais propícia para a recuperação...

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    1. Pés no chão??!?!?! Republicanos? De onde vc tirou isso? Guerras do golfo, extremismo religiosos, descontrole de gastos públicos, redução de impostos (com aumento do défcit), proibição de pesquisas com células tronco, desregulamentação extrema, isolacionismo, etc, etc, etc...
      De onde vc tirou que os republicanos são pé-no-chão? Eles são loucos!

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    2. acho q a partir do momento q sobem no poder se tornam loucos ou... apenas os loucos vão ao poder!

      não consigo ver um como melhor q o outro, tem apenas os 'menos piores'

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    3. Max, tudo bem? os republicanos da direita cristã são sim extremamente conservadores... os neolibertários são sim defensores da política intervencionista através de ações militares... porém, há também os republicanos moderados, os libertários e os liberais...

      na verdade o que eu quis dizer é que os republicanos tendem a ter uma política econômica mais voltada para o controle dos gastos públicos e a dminiuição do papel do estado (lembra um pouco psdb) enquanto os democratas tendem a apresentar política econômica mais voltada para o lado social, baseado num estado forte e provedor (lembra um pouco pt)...

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    4. A Dona Ostra resumiu tudo... são todos loucos...
      :)

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  4. Pois é, IR... Eles não têm uma política econômica melhor não... é só propaganda... O que eles fazem é beneficiar seus financiadores de campanha... No Brasil eles estariam mais para PDS(ou PR para os mais novos) que pra PSDB... O Partido Democrata, sim, lembra o PSDB... Semelhante ao PT, nos EUA, não existe nenhum.... Não receberiam voto algum por lá...
    Quanto aos melhores, Ostra... O Clinton foi o melhor presidente americano das últimas décadas. E foi o único que efetivamente reduziu o déficit americano...

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    1. Max, não sou profundo conhecedor da política norte-americana... achei bastante interessante suas colocações... segue algumas definições...

      "O Partido Democrata costuma ser tradicionalmente apoiado pelos trabalhadores, sindicados, assalariados, pela maioria das profissões intelectuais (professores, jornalistas, artistas) e por algumas minorias étnicas (afro-americanos, hispânicos) e religiosas (católicos, judeus), enquanto o Partido Republicano costuma ser associado à população dita WASP ("White Anglo-Saxon Protestant"; Branco, Anglo-Saxão, Protestante), mais próxima dos meios financeiros e de negócios, profissionais liberais, empreendedores ..." (wikipedia)

      "Historicamente, os republicanos sempre foram a favor de redução nos impostos e nos gastos do governo. O setor privado seria o motor da economia. Os democratas, que consideram importante um Estado ativo no processo econômico, defendem mais contribuições da população e também aumento dos investimentos governamentais. Para eles, o setor público, aliado ao privado, pode ser o responsável pelo crescimento." (blogs.estadao.com.br/gustavo-chacra)

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  5. É, essa crise foi a que em minha opinião, foi a mais tensa para o mundo capitalista.

    Quebra dos bancos, de milhares de empresas, fazendo com que isso, diminua os empregos e comece o desemprego. O governo adotando protecionismo que acabava com os agricultores, e que fazia com que os outros países começassem o fazer o mesmo.
    A Grã-Bretanha e Escócia estavam assolados na miséria, Reino Unido saindo do padrão Ouro.
    Revoltas e motins no setor militar.
    Mais de 30% da população Australiana desempregada.

    Realmente se você ver o que essa crise causou no mundo, foi como um teste do Armagedon.

    Se acontecer isso novamente no mundo como está, não sei não se teremos condições de nos reerguer.

    Uta!

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    1. Estagiário,

      entre um dos motivos de estarmos no topo da cadeia alimentar, é a nossa capacidade de se adaptar, não importa o cenário.

      Nos reerguer, sempre iremos. A questão é: em quanto tempo?

      []s!

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  6. Esta crise foi a mais espetacular de todos os tempos!

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  7. Faço uma recomendação a todos que leiam esse artigo : http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=376 (A Grande Depressão - uma análise das causas e consequências)

    Estão se esquecendo que tanto a crise de 1929 e 2008 houve expansão de credito antes da crise.

    Procurem saber também sobre a Crise Econômica de 1920/21 http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=610

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